Documentário sobre Torquato Neto lança luz sobre a angústia existencial do artista

"Todas as horas do fim" está sendo lançado no Festival do Rio. "Todas las horas del fin" fue lanzado en el Festival de Río.
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Toquato Neto

Aos nove anos, Torquato Neto se apresentava: “Meu nome é Torquato/ O de meu pai é Heli/ O de minha mãe é Salomé/ O resto vem por aí”. O resto se desenrola em “Torquato Neto — Todas as horas do fim”, de Eduardo Ades e Marcus Fernando, documentário que está sendo lançado no Festival do Rio (com sessão hoje, no Roxy 2, às 18h45m) . Estão lá a infância do poeta, a relação conflituosa com a mãe, sua aproximação e seu distanciamento dos tropicalistas, a paixão pela mulher Ana Duarte, o envolvimento com o cinema, a porção paterna, o humor triste (e a tristeza com humor) que atravessava sua poética, o diálogo com Hélio Oiticia, a coluna “Geleia geral” no jornal “Última Hora", a passagem pelo manicômio — tudo permeado pela energia produtora de quem está muito vivo (“Só quero saber do que pode dar certo") e pela ideia da morte como uma sombra constante (“Não tenho tempo a perder”), o inevitável “vem por aí”, antecipado por um suicídio, aos 28 anos.

— Ele tem essa imagem do vampiro (do filme “Nosferatu no Brasil”, de Ivan Cardoso), que é muito forte, mas que não dá conta do todo — diz o diretor Ades. — Por outro lado, um aspecto que nos pareceu muito definidor foi essa ideia de nele, vida e morte não são polos opostos, mas uma coisa só, pulsões próprias e concomitantes. A força da poesia dele vem daí.

O maior desafio de produzir o filme era — mais do que condensar num longa-metragem sua atuação múltipla na cultura e suas questões existenciais — a escassez de material audiovisual sobre o poeta piauiense. Por exemplo, há apenas uma entrevista sua gravada, encontrada agora pela produção do filme. A solução dos documentaristas passou pela pesquisa de fotos e pelo uso de textos de Torquato lidos pelo ator Jesuíta Barbosa em off. Mas a grande achado da estrutura é o uso de cenas de 40 obras do Cinema Novo e do Cinema Marginal e outros experimentalismos visuais do período — um recurso que apareceu quando “Todas as horas do fim” já estava sendo montado.

— Começamos a ver todas as entrevistas na tela (há depoimentos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Ivan Cardoso , entre outros), personagens muito fortes, que acabavam roubando o filme — diz o diretor Marcus Fernando. — Mas Torquato tinha que estar em primeiro plano. Como faz para que ele fale por ele mesmo e não ter apenas pessoas falando dele? Porque não cobrir as entrevistas e falas com filmes que tem a ver com Torquato? A partir daí, fomos eu, Eduardo e o montador João Felipe Freitas selecionando e encaixando as imagens.

Marcus dá exemplos:

— Quando Caetano fala do afastamento de Torquato dos tropicalistas, usamos a imagem de “O demiurgo” no qual o próprio Caetano aparece destruindo flores.

O documentário é um dos holofotes sobre Torquato neste momento. O livro “Fragmentos poéticos — A palavra em construção” (UPJ Produções), com inéditos do poeta, será lançado na 12ª Balada Literária (entre 8 e 12 de novembro, em São Paulo), que homenageia o artista. Outra antologia, selecionada por Italo Moriconi, será lançada pela Autêntica.

VERSIÓN EN ESPAÑOL

A los nueve años Torquato Neto se presentaba como "Mi nombre es Torquato, el de mi padre es Heli el de mi madre es Salomé, el resto va por aí" El resto se desenvuelve en Torquato Neto todas las horas del fin" de Eduardo Ades y Marcus Fernando, un documental que está siendo lanzado en el Festival de Río de Janeiro. Están allá en la infancia del poeta, la relación conflictiva con su madre, su acercamiento y alejamiento de los tropicalistas, su pasión por Ana Duarte, su relación con el cine, la porción paterna el humor triste que atravesaba su poesía. El diálogo con Hélio Oiticia, la columna "Geleia geral" en el diario "Ultima hora" y su pasaje por el manicomio... todo permeado de la energía productora de quien aún hoy sigue vivo. ("Solo quiero saber que puede ser cierto") y por su idea de la muerte con el suicidio a los 28 años.

—Él tiene esa imagen del vampiro (de la película "Nosferatu" de Ivan Cardoso) que es muy fuerte, pero que no da cuenta de todo. Por otro lado, un aspecto quie nos pareció muy definidor fue esa idea en él, vida y muerte no son polos opuestos solo una cosa, pulsiones propias y concomitantes. Su fuerza en la poesía viene de aí. —dice el director del documental.

El mayor desafío de producir la película era el medir su actuación múltiple en la cultura y sus cuestiones existenciales con la escasez de material audiovisual del poeta piauiense. Por ejemplo, existe apenas una sola entrevista suya grabada hallada por la productora del film. La solución de los investigadores pasó por la búsqueda de fotos y por el uso de textos de Torquato leídos por el actor Jesuita Barbosa en off. El mayor hallazgo es el uso de escenas de 40 obras de cine Nuevo y del Cine Marginal y otros experimentos visuales del periodo, un recurso que aparece cuando "Todas las horas del fin" ya estaban siendo editadas.

Comenzamos a ver todas las entrevistas en la pantalla (hay testimonios de Caetano Veloso, Gilberto Gil Tom Zé e Iván Cardoso, entre otros) personajes muy fuertes que acababan robando el filme, dice el director. Pero Torquato tenía que estar en primer plano. Como hacer para que él hable por él mismo y las charlas con el film que tienen que ver con Torquato? A partir de ahí fuimos, Eduardo, el montador Joao FelipeFreitas y yo quienes seleccionamos y encajamos las imágenes.

Marcus da un ejemplo: —Cuando Caetano habla del alejamiento de Torquato de los tropicalistas, usamos la imagen de "El demiurgo" en la cual el propio Caetano aparece destruyendo flores.

El documental es uno de las lentes reflectoras sobre Torquato en este momento. El libro "Fragmentos poéticos -la palabra en construcción", con inéditos del poeta será lanzado en la próxima feria literaria de San Pablo en homenaje al poeta. Otra antología seleccionada por Italo Moriconi será lanzada como la original.

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